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terça-feira, 26 de março de 2013

Poema "Sinto Vergonha de Mim" de Rui Barbosa

Ao poeta Rui Barbosa peço emprestado este poema:

Sinto vergonha de mim
por ter sido educador de parte deste povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-Mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o 'eu' feliz a qualquer custo,
buscando a tal 'felicidade'
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos 'floreios' para justificar
actos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre 'contestar',
voltar atrás
e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer...

Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.

Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir o meu Hino

e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar o meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo deste mundo!

'De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
A rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto'.





No dia 21 de março de 2013, realizou-se mais um encontro mensal “21 às 21”, desta vez com a Professora Doutora Raquel Varela, que apresentou o livro “Quem Paga o Estado Social em Portugal?”, do qual foi coautora e coordenadora. Esteve também presente o seu editor, Eduardo Boavida, que fez a apresentação da autora.
Dado ser o dia mundial da poesia, esta sessão iniciou-se com a leitura do poema “Tenho Vergonha de mim…” do poeta Rui Barbosa.
Após a apresentação muito clara e simples de Raquel Varela, seguiu-se um debate animado, com muitas intervenções dos assistentes e respostas da convidada.
Foi uma noite bem esclarecedora, ficando nos presentes a sensação de que afinal o estado social é possível e sustentável, desde que bem gerido, sem desvios e sem a promiscuidade de interesses mais ou menos duvidosos.

quinta-feira, 7 de março de 2013

"21 às 21" em Março com Raquel Varela

Raquel Varela (1978) é investigadora do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, onde coordena o Grupo de Estudos do Trabalho e dos Conflitos Sociais e investigadora honorária do Instituto Internacional de História Social, onde co-coordena o projecto internacional In the Same Boat?Shipbuilding and ship repair workers around the World (1950-2010). É doutora em História Política e Institucional (ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa). É autora de História da Política do PCP na Revolução dos Cravos (Bertrand, 2011), coordenadora de Revolução ou Transição? História e Memória da Revolução dos Cravos (Bertrand, 2012), co-coordenadora de O Fim das Ditaduras Ibéricas (1974-1978) (Centro de Estudios Andaluces/ Edições Pluma, 2010). Foi coordenadora da Conferência Internacional Greves e Conflitos Sociais no Século XX.